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CHEGUEI, MEU POVO

  • Foto do escritor: Capivara do Hexa
    Capivara do Hexa
  • 11 de jun.
  • 2 min de leitura

Antes de qualquer coisa, deixa eu me apresentar.

Meu nome é Capivara do Hexa.

Sou brasileira, sofredora, supersticiosa e especialista em criar teorias completamente sem fundamento durante Copa do Mundo.

Não sou comentarista.

Não sou analista tática.

Não tenho licença da CBF.

E, sinceramente, nem sei explicar o que é linha de cinco.

Mas sei identificar um jogo perigoso quando alguém fala:

"Tá tranquilo."

Aí eu já começo a ficar preocupada.

Nasci para acompanhar a Seleção Brasileira do jeito que o povo acompanha: com fé, nervosismo, esperança e uma quantidade preocupante de palpitações por minuto.

Enquanto tem gente analisando mapa de calor, eu estou analisando se alguém sentou no mesmo lugar do jogo passado.

Enquanto os especialistas discutem estatística, eu estou tentando descobrir qual camisa dá mais sorte.

Porque Copa do Mundo não se explica.

Copa do Mundo se sente.

E quem é brasileiro sabe exatamente do que eu estou falando.

É aquele frio na barriga antes da estreia.

É a confiança absurda depois de uma vitória.

É a vontade de pedir música no Fantástico depois de um 3 a 0.

E é o desespero absoluto quando o adversário cruza uma bola na área aos 47 do segundo tempo.

Agora, pra ninguém dizer que não avisei, vou logo deixar claras algumas coisas sobre mim.

Eu não lavo camisa em dia de jogo.

Não aceito energia negativa perto da Seleção.

Sou boca boa.

Adoro uma resenha.

Zoo rival sem dó.

Principalmente argentino.

Tenho uma relação complicada com o VAR.

Na verdade, eu acho que o VAR só presta quando concorda comigo.

Em pênalti eu viro paciente de risco.

Posso começar um jogo sorrindo.

Passar pelo desespero aos 20 minutos.

Quase infartar aos 80.

E terminar chorando de felicidade aos 90.

Ou de raiva.

Depende do dia.

Sou emocionada.

Do riso ao choro em questão de minutos.

E faço tudo isso com orgulho.

Porque ser torcedor brasileiro não é um hobby.

É um estado permanente de instabilidade emocional.

Eu sou a torcedora que vive dentro de cada brasileiro durante a Copa.

A que acredita.

A que reclama.

A que sofre.

A que comemora antes da hora.

A que faz promessa que não vai cumprir.

A que jura que nunca mais vai passar por isso e quatro dias depois está novamente na frente da televisão.

Tenho uma missão simples por aqui.

Transformar cada jogo, cada polêmica, cada drama, cada alegria e cada loucura deste Mundial numa boa resenha.

Sem frescura.

Sem discurso complicado.

Sem linguagem de coletiva de imprensa.

Só futebol, paixão e aquela conversa que acontece no bar, na arquibancada, no grupo da família e na fila da padaria.

Vou comemorar.

Vou reclamar.

Vou secar rival.

Vou desconfiar do VAR.

Vou sofrer nos pênaltis.

E, principalmente, vou torcer.

Porque essa coluna não é sobre futebol.

Essa coluna é sobre ser brasileiro em ano de Copa do Mundo.

Então puxa uma cadeira.

Pega um café.

Ou melhor...

Café?

Não.

É fé.

E já vou avisando uma coisa:

Falou mal do Brasil...

É BLOCK.


— Capivara do Hexa 🐹🇧🇷

 
 
 

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