O HEXA ADIADO COM DOR
- Capivara do Hexa

- 5 de jul.
- 2 min de leitura

Tem derrota que dói pelo placar.
Tem derrota que dói pelo adversário.
E tem derrota que machuca porque interrompe um país no meio de um sonho que já parecia rotina.
Foi isso que aconteceu hoje.
Durante semanas, a conversa era sempre a mesma.
Quem seria o herói.
Quando o craque voltaria.
Se o time finalmente encaixaria.
Quem abriria o caminho até o Hexa.
Ninguém gosta de imaginar o momento em que o caminho acaba.
Mas ele acaba.
A Noruega fez o que Copas do Mundo fazem com quem não aproveita o próprio jogo: não esperou.
O Brasil teve um pênalti.
Teve um gol perdido pelo Endrick.
Teve momentos.
Teve volume.
O goleiro evitou gols que já tinham cara de destino.
Uma bola desviada, num recuo que quase virou gol contra, encontrou a trave — e ele ainda conseguiu tocar com a ponta do dedo antes de tudo mudar de direção.
Mas futebol não premia intenção.
Premia o que entra.
E hoje, quem entrou na história foi o outro lado.
Haalland teve duas bolas. Fez dois gols.
E despedaçou nossos corações.
É sempre estranho como a Copa muda de sentido em poucos minutos.
Até ontem, havia esperança em forma de retorno, em forma de expectativa, em forma de narrativa pronta.
Hoje, tudo isso virou peso.
E mesmo quando algumas peças apareceram, mesmo quando houve tentativa, não houve reversão.
Nem toda eliminação tem um culpado claro.
Algumas são mais cruéis: são coletivas.
Se constroem antes do jogo decisivo.
Nos detalhes ignorados.
Nas chances deixadas para depois.
Ancelotti chegou com a promessa do controle.
Mas Copa do Mundo raramente aceita controle.
Aceita execução.
Agora vem o que sempre vem.
A pressa por respostas.
A caça por culpados.
A ilusão de que tudo pode ser reorganizado em poucos meses.
Mas algumas derrotas não são resolvidas.
São carregadas.
O Hexa não foi adiado com leveza.
Foi interrompido com ruído.
E isso é o mais difícil de aceitar: não é só um resultado.
É uma história que parecia pronta — e não aconteceu.
— Capivara do Hexa 🐹🇧🇷




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